Membro da Rede Internacional da Vida Consagrada contra o Tráfico de Pessoas "TALITHA KUM"

8 de agosto de 2011

Um Grito


por Denise Morra, PI

 Com a proximidade do 7 de setembro e o Grito dos Excluídos, queremos nós “Rede um Grito pela Vida” – Espaço de Articulação e Ação Solidária da Vida Religiosa do Brasil na prevenção ao Tráfico de Pessoas, gritar contra este crime de caráter transnacional e a mais nova forma de escravidão do século.
O tráfico de pessoas é uma grave violação dos direitos humanos e crime com o propósito de alimentar a exploração da indústria do sexo, servidão doméstica, trabalho escravo, comércio de órgãos.
No Brasil este grito - o tráfico de pessoas - ganha corpo com a criação de uma CPI no Senado e a discussão do 2º Plano Nacional de Enfretamento ao Tráfico de Pessoas e a proximidade de eventos internacionais como a Copa do Mundo e Olimpíadas.
É importante gritar que o tráfico de pessoas está diretamente ligado a baixa escolaridade, a expectativa reduzida de mobilidade social, aos sonhos da juventude em busca de melhores condições de vida e a vulnerabilidade de mulheres e crianças, entre outros. Segundo estudos realizados no Brasil pela Organização Européia - Centre for Migration Policy Development (ICMPD), o Piauí está entre os estados com mais vítimas de tráfico de pessoas devido o recrutamento se dar em áreas periféricas e pobres do país “onde pouco se sabe sobre o fenômeno do trafico de seres humanos e sobre os direitos dos migrantes”.
Precisamos reagir:
- Busque e socialize informações com relação a este crime!
- Fique de olho em promessas fantásticas!
- Realize ações educativas de prevenção!
- Intensifique a luta por políticas públicas em defesa da vida!
- articule e integre ações de apoio e assistência às pessoas traficadas.
- Denuncie! Ligue 180

5 de agosto de 2011

CARTA ENDEREÇADA À REDE UM GRITO PELA VIDA

pelo grupo de multiplicadores formados em Fortaleza, CE

Nos dias 13, 14, 15, 21 e 22 de maio, participamos do curso de multiplicadores para enfrentamento do tráfico de pessoas, oferecido pela Rede Um Grito Pela Vida em Fortaleza, CE.

De forma clara, objetiva e por algumas vezes lúdica pudemos esclarecer, analisar e refletir sobre diversas realidades existentes ao nosso redor.

A metodologia usada facilitou o nosso entendimento e percepção do quanto esse tema é pouco tratado e como pode facilmente levar pessoas para esse mundo tão encantado, aparentemente.

Ficou em cada participante a certeza de que, tal fato, não pode ser restrito aos órgãos públicos, mas deve se estender cada vez mais por toda sociedade.

Toda reflexão feita nesses cinco dias, nos impulsionou a nos tornarmos disponíveis nessa luta e nos unirmos a vocês, acreditando que é possível a quebra da rede do tráfico através da prevenção.

Agradecemos a cada um que disponibilizou tempo e um pouco do conhecimento, facilitando nossa aprendizagem e suscitando em nossos corações o desejo de estarmos cada vez mais empenhados a mudar a realidade que nos cerca.

Um abraço carinhoso de todos os participantes

16 de junho de 2011

PRIMEIRO ENCONTRO DE COORDENAÇÃO DA REDE TALITHA KUM

Data: de 30 de maio  até 1° junho de 2011; Lugar: Roma, Itália

O Primeiro Encontro da Coordenação de Talitha Kum realizou-se, em Roma, de 30 de maio a 1º de junho de 2011.

Após dois anos de missão na luta contra a trata, os membros da Talitha Kum sentiram a necessidade de reunirem-se, tomar contato entre si e avaliar o caminho percorrido em favor das vitimas e dos setores mais vulneráveis da trata de pessoas.

Participaram do encontro de coordenação as coordenadoras das Redes afiliadas à Talitha Kum ou suas delegadas. (ver listas de participantes) Sr. Josune Arregui, CCV, UISG Secretário Executivo, oficialmente saudou os participantes e Arcebispo Joseph Tobin, o Secretário de CIVCSVA enfeitou o encontro com sua presença e palavras de encorajamento em sua saudação

Objetivos: O Encontro de Coordenação dedicou um espaço de tempo para que as participantes pudessem: 1- Refletir sobre as experiências partilhadas, as melhores práticas e as dificuldades da missão contra a trata de pessoas tendo presente um apoio e ajuda mútua. 2- Avaliar e elaborar o Plano de Ação de Talitha Kum. 3- Buscar estratégias bem definidas para a ação em vista de: 3.1- Consolidar Talitha Kum como Rede Internacional da vida Consagrada contra a Trata de pessoas (Ter um maior sentido de pertença para trabalhar em rede mais dinâmica e mais eficaz na proteção, ser referência e assistência, na situação delicada de resgate e proteção, cuidado e recuperação das vitimas e pessoas mais vulneráveis. 3.2 Uma gestão mais eficaz da rede. Pessoas Recursos O encontro de Coordenação se desenvolveu com grande êxito, graças ao valorosos empenho do Grupo de coordenação formado por:

1. Sr. Ines Gutierrez, SUSC
2. Sr. Zenaide Ziliotto, MSCS
3. Sr. Estrella Castalone, FMA
4. Dr. Stefano Volpicelli of IOM

O Grupo Anti–Trata da Comissão de Justiça e Paz (USG-UISG) colaborou no desenvolvimento do encontro, graças aos serviços prestados em prover as necessidades das participantes. Desenvolvimento do Programa O encontro teve início com as informações dos membros da Rede onde apresentaram o que foi realizado na sua missão no campo da trata, durante os últimos dois anos, colocando em evidência os pontos fortes e os pontos débeis. Houve também uma exposição de Posters”, servindo como base para a reflexão e a discussão. A Irmã Estrella Castalone, FMA, coordenadora da Rede Talitha Kum, apresentou um informe sobre a realidade da mesma. Ela destacou os frutos já conquistados tais como: 1. Novos membros se agregaram à Rede: 1.1 AMRAT – Asia del Sur 1.2 Mans Deins le Man – África Oeste 1.3 Red Kawsay – Paises Bolivarianos 2. A Campanha anti-trata na África do Sul por ocasião da Copa do Mundo onde a Talitha Kum realizou o seguinte: 2.1 Seminário de Preparação em Johannesburg 2.2 Publicação de 4 cartas abertas ao público 2.3 Coletiva de imprensa, em Roma, com data de 6 de maio de 2010; lançamento oficial da campanha para marcar o início das iniciativas realizadas por religiosas no mundo inteiro, do dia 6 de maio de 2010 a julho de 2010 3. Lançamento do site web de Talitha Kum em 5 idiomas 4. Participação na “Conferência Internacional sobre O Rosto Feminino da Migração”, organizada pela Caritas Internacional.

5. Participação, como conferencista, em um encontro da Embaixada dos EE UU ligada a Santa Sé sobre “ Construir pontes de liberdade: Ação pública – Privada para terminar com a escravidão de hoje” – Roma, 18 de maio de 2011

6. Cursos de capacitação sobre trata em :

6.1 Senegal ( para religiosas da África Oeste)

6.2 Índia (para religiosas de Ásia Sul)

6.3 Peru (para religiosas dos Países Bolivarianos

6.4 Kênia (para religiosas da África Oriental

Irmã Estrella destacou também os aspectos de “sombra” de Talhita Kum a partir do seu ponto de vista, como coordenadora, convidando as participantes a assumirem o desafio de buscar estratégias para solucionar as debilidades da Rede.

Todos estes conteúdos foram objeto de reflexão e discernimento nos trabalhos de grupos tendo como base as seguintes perguntas:

Como posso melhorar meu sentido de pertença e assumir Talitha Kum?
Como nós podemos melhorar a organização de Talitha Kum?
Conclusão

Após três dias de trabalho e reflexão séria, discernimento e discussões sobre o significado de Talitha Kum e a organização da Rede, as Irmãs decidiram em comum acordo sobre os seguintes documentos conclusivos:

1. Um novo Comitê de Direção formado pela coordenadora e um grupo para ajudar a mesma na gestão da rede.

Coordenadora: Estrella Castalone, FMA

Membros do Comitê:
África: Patricia Ebegbulem, SSL
América: Gabriella Bottani, CMS
Ásia: Maria Victoria Sta. Ana, FMA
Europa: Dagmar Plum, MMS
Roma: Nicole Rivard. NDA
Roma: Claudio Barriga, SJ

2. Linhas de ação:

2.1 Visibilidade – Fazer com que Talitha Kum se torne “visível”, em primeiro lugar em todas as Congregações Religiosas no âmbito de cada uma das Conferências Nacionais de Religiosas.

2.2 Serviço – partilhar os serviços que realizamos em favor das vitimas da trata, do tráfico de pessoas e das ações de prevenção mediante um sistema aprimorado e atualizado da pagina web da Rede.

2.3 Trabalho em Redes – Ampliar os contatos para a identificação dos colaboradores.

Como os discípulos de Emaús, as participantes retornaram a seus países com o coração cheio de esperança, na certeza de que a Rede está apta para dar passos mais importantes na sua missão de levar o amor e a compaixão de Cristo às pessoas cujas vidas tenham sido atingidas por esta forma de escravidão moderna.

Ao concluir o encontro, tivemos a convicção de que todas as Irmãs de Talitha Kum partilhamos isto:

Talitha Kum não é somente o nome de nossa Rede mas, antes de tudo, a espiritualidade que nos inspira e que anima nosso compromisso na luta contra a trata, o tráfico de pessoas. Fazemos nossas as palavras de Talitha Kum!, palavras que Jesus (Lucas 8:55) dirige à menina que Ele ressuscitou, para que possamos continuar alimentando nossa esperança e nosso desejo de ressuscitar cada mulher, homem ou criança da horrível experiência desta forma de escravidão moderna e devolver a sua dignidade de filhos de Deus.

17 de maio de 2011

DIA 18 DE MAIO, DIA NACIONAL DE COMBATE AO ABUSO E À EXPLORAÇÃO DE CRIANÇAS E ADOLESCENTES

Pe. Sidnei Marco Dornelas  - GT Tráfico de Pessoas
Setor Pastoral da Mobilidade Humana - CNBB

A realidade de vulnerabilidade em que se encontram as crianças e adolescentes em nosso país já é matéria de reflexão que nos ocupa há muitos anos. A precariedade em que se encontram as famílias mais pobres faz com que desde cedo as crianças assumam tarefas de adultos no âmbito doméstico. Outras vezes são vistas como um peso, sofrem inúmeras violências, também de ordem sexual, ou são pura e simplesmente abandonadas à própria sorte. Nesse sentido é que testemunhamos a reincidência dos casos de trabalho infantil, que são até hoje denunciados, e que persistem, para além de todas as políticas de compensação e reinserção social. Paralelamente, o mundo da criminalidade, juntamente com o tráfico de drogas, surge como uma sedução nefasta para vários grupos de jovens, carentes de reais oportunidades e alternativas de futuro. Esse quadro de desvalorização da vida de crianças e adolescentes encontra eco nos casos de exploração e abuso sexual de que são vítimas, e acabaram se tornando um dos grandes escândalos em nosso país. A questão do tráfico de pessoas é um dos pontos mais sensível dessa forma anômala de exploração econômica.

Assim, o trabalho infantil é um dos meios pelos quais se difundem os abusos da exploração econômica e da sede pelo lucro. Em várias épocas do ano, seja por ocasião de diferentes colheitas agrícolas, seja nos trabalhos em carvoarias, nas regiões turísticas nos períodos de férias, ou em subempregos nas grandes cidades, o abuso e exploração de crianças e adolescentes é uma constante. Nesse sentido, multiplicam-se muitas formas de mobilidade motivadas por esses nichos de exploração econômica, criando os principais focos de mobilidade laboral que degeneram em casos de abuso e exploração sexual, como aquela que fomenta o tráfico de seres humanos, incluindo crianças e adolescentes, em situação análoga ao trabalho escravo. Paralelamente, esse fenômeno se alimenta também de uma mudança no perfil dos migrantes, em que se percebe uma tendência de uma presença crescente de mulheres sós que migram em busca de trabalho. É o que se costuma chamar de “feminização das migrações”. Inserindo-se em ramos como o trabalho doméstico, de serviços e entretenimento, as mulheres e adolescentes são ainda mais vulneráveis frente aos apelos das filiais do tráfico de seres humanos, ou Tráfico de Pessoas.

Existem basicamente duas formas de Tráfico de Pessoas com fim de exploração sexual, interligadas entre elas: o interno e o internacional. No território brasileiro, em diferentes regiões, mulheres e adolescentes são exploradas sexualmente em situações como: cidades litorâneas no chamado “turismo sexual”, em localidades que vivem da atividade de garimpos, em regiões em que prospera o agronegócio, nas proximidades de bases militares ou grandes obras. Assim, seja no litoral brasileiro, nas grandes cidades, mas também no interior de estados como Pará, Amapá, Goiás, constata-se a ação do tráfico. Como um ramo comercial clandestino e altamente lucrativo, essa atividade tende a extrapolar as fronteiras nacionais, associando-se às redes do crime internacional e movimentando somas astronômicas da ordem de 30 bilhões de dólares. Internacionalmente, o Brasil é especialmente envolvido devido à vastidão de suas fronteiras e seu imenso território, o que permite que vários circuitos de Tráfico de Pessoas se desenvolvam, interligando não só cidades brasileiras entre si, mas também a passagem de mulheres e adolescentes oriundas de outros países da América Latina, como Peru e Paraguai. Em 2004, identificavam-se cerca de 140 rotas de tráfico nacional e internacional, que comercializavam crianças, adolescentes, mulheres brasileiras e até mesmo travestis. Entre os principais destinos estão, sobretudo, a Espanha, Japão e Israel, mas também países vizinhos, como o Suriname. Calcula-se que dos cerca de 200 mil casos registrados em todo mundo, cerca de 20% seriam originários da América Latina.

Atualmente, a realidade do Tráfico de Pessoas vem despertando uma indignação cada vez maior, e motiva a ação governamental de vários países, ao lado da mobilização de diferentes ONGs e entidades da sociedade civil incidem para a mudança nesse quadro. Nesse sentido, também a Igreja Católica no Brasil vem atuando, por meio de diversas entidades pastorais, como a Pastoral da Mulher Marginalizada, Comissões de Direitos Humanos e a Rede “Um Grito pela Vida”, da Conferência dos Religiosos do Brasil (CRB), além de muitas outras entidades que dão sua colaboração na atenção às vítimas. Percebe-se que se trata do lado mais “sensível” de um fenômeno mais amplo, ligado à mercantilização da vida humana na era da Globalização, desestabilizando as relações sociais, denegrindo e ferindo gravemente a dignidade da pessoa humana, comprometendo gravemente o nosso futuro. Quando crianças e adolescentes são abusadas por outros seres humanos, nesse processo econômico “sem sujeito”, o apelo deve ser renovado, atualizado e chamar incessantemente a atenção para o tipo de sociedade que estamos construindo, para a imensa divida humana que carregamos nas costas. É também uma tarefa evangélica nos juntarmos àqueles que neste dia defendem a vida dos mais frágeis, com os quais se identificou o próprio Cristo.

Curso de Formação de Multiplicadores em Fortaleza

por ir. Gabriella Bottani

Nos dias de 13 a 15 de maio e 21 e 22 de maio a Rede Um Grito pela Vida está promovendo um curso de formação de multiplicadores para a prevenção ao tráfico de pessoas. O Curso contou com a assessoria dos membros da Rede Um Grito pela Vida, do Núcleo de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas do Estato do Ceará, de Renato Roseno e a participação do Grupo de Teatro e de Dança da Sociedade da Redenção que apresentou a peça "O Diario de Joana", contou também com a colaboração de Massimo e Lilissane, professores de educação corporal.

Treinamento agentes multiplicadores em São Luis, MA

O Encontro em São Luis  teve como objetivo o treinaento de agentes multiplicadores de oficinas  sobre Tráfico de Pessoas. O treinamento aconteseu nos dias de 14 e 15 de maio  na casa de retiro das Irmãs Filipinho em São Luis-ma.  Estiveram presentes 40 irmãs de diversas congregações religiosas e leigas membros de associações de mulheres de bairros da cidade de São Luis e da Vila de Pescadores. Como resultado do treinamento teve inicio um pequeno planejamento do regional de São Luis, para levar ações concretas de prevenção a alguns bairros da cidade. Assessoria foi dada pela Ir Denise Morra membro da rede um grito pela vida.

7 de maio de 2011

NOTICIAS DE GOIÂNIA

Bom dia Companheiras e companheiros de caminhada.
estou repassando esta noticia tirada do corréio braziliense que conta um pouco da história dos marcados para morrer.
Religiosos, juízes e promotores estão na mira de esquadrão morte
Renato Alves
Publicação: 02/05/2011 06:00 Atualização: 02/05/2011 16:27
Além de executarem mais de uma centena de pessoas, muitas delas inocentes, policiais militares goianos intimidam aqueles que investigam seus crimes. Na lista de marcados para morrer do grupo de extermínio formado por agentes do Estado estão parentes das suas vítimas, testemunhas, delegados, promotores de Justiça, juízes, jornalistas e até religiosos.
Boa parte das ameaças constam dos inquéritos da Polícia Federal oriundos da Operação Sexto Mandamento, desencadeada em 15 de fevereiro último com a prisão de 19 praças e oficiais da Polícia Militar de Goiás. Conforme mostrou o Correio na primeira reportagem da série “Crimes de farda”, publicada ontem, o grupo preso responde por mais de 300 assassinatos e 36 desaparecimentos ocorridos nos últimos 10 anos.
O padre Geraldo Marcos Labarrère Nascimento, 70 anos, conhece bem as histórias atribuídas ao esquadrão da morte goiano. E convive com ameaças desde o início dos anos 1980, quando começou a trabalhar com jovens em situação de risco e a assistir famílias vítimas de violência em comunidades pobres de Manaus (AM).
O religioso deixou a capital amazonense e partiu para Goiânia em 2002 justamente por denunciar policiais militares que agrediam e perseguiam moradores da periferia de Manaus. Em uma madrugada, quando voltava para casa, ele foi cercado por um oficial e 16 subordinados. “Colocaram uma metralhadora ao meu lado, perto do meu ouvido, e dispararam. Depois, avisaram: ‘O próximo (tiro) vai ser no peito’”, conta.
Mas as ameaças nunca intimidaram o padre Geraldo. Assim que desembarcou em Goiânia, continuou o trabalho de ajuda e proteção às vítimas da violência policial. Em 28 de abril de 2006, fundou o Comitê goiano pelo fim da violência policial. Desde então, vive recebendo ameaças. “Elas (as ameaças) vêm e voltam. Às vezes, veladas; às vezes, nítidas”, comenta ele, um jesuíta.
Os mais recentes recados vieram após a Operação Sexto Mandamento. “Procuraram o arcebispo e disseram que eu e um assessor do deputado estadual Mauro Rubem (PT) iríamos receber o troco. Não seria uma execução, mas um assalto com morte ou um acidente”, conta o padre Geraldo. Em outro episódio, a Casa da Juventude (Caju), dirigida por ele, amanheceu cercada por um comboio da PM.
As viaturas da Polícia Militar passaram várias vezes em frente à Caju. Em uma delas, PMs desceram à entidade para procurar informações sobre o local. “Todos, principalmente a PM, sabem o que fazemos aqui, sabe que assistimos pessoas em situação de risco, jovens e adultos vítimas de maus-tratos, principalmente de policiais”, ressalta o religioso.